O consumo de vinho por pessoa no Brasil está em torno de 2 litros ao ano. Um número até 10 vezes mais baixo que o de nossos vizinhos Chilenos e Argentinos, que são regiões conhecidas por suas produções.

Mais de 80% de nosso consumo vem de vinícolas industriais, mas o número de vinhos artesanais nacionais cresceu muito desde 2015, otimistas 4,5% – o que tem impressionado muito a comunidade enóloga brasileira e incentivando a produção artesanal, que começa a sentir-se moralizada e confiante.

 

Quais os fatores que envolvem nosso consumo de vinho?

Grande maioria dos brasileiros tem alguns conceitos que ainda restringem sua apreciação genuína dos vinhos, o primeiro é o fato de que muita gente considera o consumo de vinho associado aos momentos especiais, de grande celebração ou à momentos íntimos. Muito raramente o consumo de vinho é associado às refeições ou à degustação. Ele ainda é o favorito dos casais que celebrem algo ou das celebrações consideradas nobres.

Nossos vizinhos têm o hábito de consumir vinho nas refeições, nós raramente o fazemos.

Outro fator que nos afasta de um consumo mais regular dos vinhos é o pensamento de que para ser um produto de qualidade, o vinho precisa ter preços altos. Quanto mais alto o preço, maior a qualidade. E isso está longe de ser verdade.

A maioria dos vinhos industriais, até dos importados geralmente sequer mostra algum dado da procedência de seu produto, como seria possível presumir tal coisa então? Graças à internet, é possível ler reviews importantes, mas nas gôndolas do mercado, geralmente o consumidor é atraído pelas bandeiras e pelos nomes em francês. O vinho brasileiro muitas vezes acaba sendo ignorado, mesmo sendo mais barato e de tão boa procedência quanto.

Essa mistificação dos produtos de fora nem sempre faz sentido e muitas vezes o alto preço vem das taxas de importação que podem encarecer muito o produto e da própria margem de lucro de quem consegue compreender essa mistificação dos consumidores amadores de vinho e lucrar sobre isso.

Maioria de nós ainda acredita que o vinho é um artigo muito fino, que deve ser consumido como faz um sommélier. Outro engano, é possível apreciar todos os aspectos de um bom vinho sem precisar fazer pose, basta bebê-lo com calma, acompanhado de um alimento, sem algo que bloqueie seu paladar, como doces ou tabaco.

casal bebendo vinho

 

O que explica o crescimento?

Bem, junto do crescimento dos vinhos artesanais, cresceram também as cervejas artesanais, ambos quase na mesma proporção – uma proporção muito otimista para quem produz, diga-se de passagem -. Uma parte pode ser explicada pela ascensão de consumo de muitas pessoas que, até então, passaram a vida toda consumindo cervejas e vinhos industriais, padronizados, sem procedência.

Como tanto a cerveja como o vinho são artigos muito associados à celebração, e a celebração por sua vez é associada com um momento que merece qualidade, não levou muito tempo para que começássemos a querer dar qualidade para nossos momentos de celebração, a nos permitirmos consumir produtos de qualidade.

A onda de importados veio antes, mas os importados eram extremamente caros e seus preços muitas vezes não eram condizentes nem com o produto nem com a capacidade média de consumo. Mas ainda queremos consumir bons produtos. É nesse momento que, na onda de outros países, as produções artesanais começaram a tomar força.

A nova revolução empreendedora que tomou o mercado nos últimos 5 anos conseguiu muito sabiamente ampliar o acesso e criar ambientes e culturas de consumo para os entusiastas e foi capaz de angariar muito mais interessados. As comunidades de entusiastas cresceram como nunca. O vinho e a cerveja tornaram-se uma opção real de consumo. No lugar dos vinhos suaves extremamente doces e das cervejas sem aroma nem sabor, apareceram produtos que excitavam muito o paladar, que combinavam bem com as novas tendências de comidas que surgiam. Um foi associando-se ao outro, criando uma rede de consumo coesa e dinâmica.

vinho e cerveja

 

O Mercado está amigável para esse tipo de produção?

Não apenas amigável, o mercado urge novos produtos.

A comunidade de consumidores de produtos gourmet explodiu, criou toda uma nova categoria de consumidores fiéis e dispostos a ter diversas experiências.

Como as bebidas artesanais podem ser altamente customizáveis, o mercado dificilmente ficará estagnado ou saturado tão cedo. O grande ponto é fazer a diferença para angariar o interesse da comunidade, que não para de se expandir para mais estratos econômicos. Hoje muito mais pessoas acham importante variar e ter qualidade de consumo.

É um ótimo momento para aproveitar o boom e tentar se estabelecer, criar capilaridade nesse ambiente comercial que está aquecido. Em verdade, os únicos setores que têm crescido em meio à crise atual tem sido aqueles de bebidas alcoólicas e de bancos.

Observe a capacidade dinâmica de imersão de seu produto, busque temas, uma logo, uma embalagem, tudo aquilo que aumente o interesse, explique sua procedência, os processos do seu produto, tudo aquilo que faça seu produto se destacar entre os outros nas prateleiras e na boca dos entusiastas.

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