Apesar de ser um processo importante e determinante para dar o aspecto único de cada cerveja, nós sabemos que a carbonatação ideal para a sua cerveja ainda pode ser uma dificuldade. Atingir o nível ideal depende de uma presunção aproximada ou de equipamentos mais sofisticados.

Acredite, uma carbonatação inadequada é capaz de fazer a cerveja parecer um suco de grãos ou até mesmo explodir uma garrafa. Para entender melhor essa tarefa delicada e não correr mais o risco de “errar a mão”, é essencial que você conheça o processo e as particularidades dos variados tipos de cerveja.

A carbonatação, para deixarmos claro, consiste na adição de monóxido de carbono na bebida, seja através de açúcares, que por si só já produzem certa quantidade de CO2  na fermentação, seja pela adição forçada de CO2 por meio de equipamentos.

A gaseificação é um dos principais parâmetros na apreciação das cervejas. As ales inglesas, porters e stouts têm, tradicionalmente, um baixo nível de carbonatação, para que seu teor de amargor e/ou doçura não fiquem desagradáveis. Já as cervejas mais densas, como as Weiss e lambics, possuem mais do que o dobro das primeiras, para realçar seu frescor ou tornar mais agradável o sabor.

Quais os principais métodos de carbonatação? Como fazer?

Basicamente, podemos dizer que a carbonatação dá para ser feita de duas formas diferentes. Vamos conferir:

Priming

A chamada priming é a maneira mais simples e pode ser realizada em um balde sanitizado ou direto na garrafa. O método consiste na adição de açúcares fermentáveis, como a sacarose, o extrato de malte, açúcar mascavo, mel, xarope de milho e afins. O açúcar fermentável trabalhará junto das leveduras ainda no líquido, fazendo uma refermentação da cerveja, para que ela gere uma quantidade extra de CO2.

É possível adicionar o açúcar diretamente ou através do processo de açúcar invertido, em que ele é dissolvido em água e fervido. A dica é pingar algumas gotas de limão para evitar contaminações. Além disso, como a sacarose é quebrada em frutose e glicose, isso facilitará o serviço das leveduras.,

chopp feito no priming

Por falar nisso, há situações em que as leveduras remanescentes na bebida não serão o suficiente para gerar a carbonatação ideal. Então, você poderá introduzir novas leveduras para ajudar o procedimento.

Carbonatação Forçada

O outro meio de carbonatação envolve, ao invés de trabalhar com a ação de açúcares fermentáveis e leveduras, adicionar CO2 de forma artificial através de um injetor de pressão.

cerveja com carbonatação forçada

Para isso, você irá precisar de alguns equipamentos: um barril, que suporte pressão, para armazenar a cerveja, um cilindro de gás carbônico, para adicionar o CO2 e um manômetro, que irá aferir a pressão exata, ajudando a manter uma gradação precisa do gás adicionado, evitando falhas e prevenindo acidentes.

Afinal, qual a carbonatação ideal para a sua cerveja?

Como citado no início, cada cerveja possui um nível diferente de carbonatação, aspecto fundamental nas propriedades que tornam cada tipo único.

A média de volume de CO2 nas cervejas é de 2,2 e 2,7. Sendo um volume proporcional a 1 litro de CO2 medido em 1 litro de cerveja.

Esta pequena lista contém alguns dos estilos mais populares e a gradação média de gás carbônico:

ESTILO DE CERVEJA

VOLUME DE CO2

Ales Inglesas1,5 – 2,0
Porter, stout1,7 – 2,3
Ales belgas em geral1,9 – 2,4
Lagers em geral2,2 – 2,7
Ales Americanas2,2 – 2,7
Lambics2,4 – 2,8
Lambics com frutas3,0 – 4,5
Cervejas de Trigo3,3 – 4,5

Um ponto importante para ter em mente, é a temperatura da cerveja no momento e durante a carbonatação. A temperatura ideal, que inclusive é o padrão para a lista citada, é de 20 graus para cima. Carbonatar uma cerveja com a temperatura baixa não é recomendável, pois diminui a atividade das leveduras e a solubilidade do CO2, que se não for bem diluído, poderá ocasionar uma bebida sub-carbonatada, muito flat para o estilo desejado.

Para resolver esse problema, você pode refazer o processo com uma temperatura mais alta e aguardar um pouco mais. Quanto maior tiver sido sua maturação ou adição de compostos, maior o tempo de espera recomendado.

Agora, caso tenha feito o contrário e sua cerveja esteja super-carbonatada, por excesso de açúcar adicionado, coloque o líquido em um recipiente na geladeira, para diminuir a intensidade da carbonatação, e depois abra um pouco o recipiente para deixar o gás escapar.

Se estiver trabalhando com carbonatação forçada, fica tudo mais simples, basta usar o manômetro para observar enquanto adiciona ou deixa escapar o gás através da válvula.

Algumas dicas práticas para o Priming:

O ideal é que você consulte uma lista completa e faça as contas para graduar da melhor forma possível a carbonatação ideal para a sua cerveja. Mas a tarefa não é tão simples assim.

Para ter um pouco de segurança quanto a dosagem, até se habituar ao processo, tente se basear mais ou menos nestas proporções, de acordo com o tipo da cerveja que está sendo ou será produzida:

  • Para cervejas flat, ou seja, de baixa carbonatação, seria interessante colocar uma média de 4 gramas de açúcar por litro.
  • Naquelas com carbonatação média, entre 5 a 6 gramas de açúcar por litro.
  • Já as de alta carbonatação podem ficar com 7 a 8 gramas/litro.

Conclusão

Cada detalhe na proporção da sua cerveja fará uma grande diferença para dar a ela um estilo único. Vale a pena estar ligado a esses parâmetros para dominar o processo e produzir cervejas artesanais bem estruturadas.
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